Caetano Veloso diz que "Vila Velha" lembra início da carreira com Gil, Gal e Bethânia
Entrevista para A Gazeta (1° de agosto de 2025)
Por Felipe Khoury
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Foto: Robson Mafra/AGIF/Folhapress
Pedras lisas à beira-mar, um nome que ecoa entre Salvador e Vila Velha, e uma história que nunca se desconecta da música brasileira. Caetano Veloso volta ao Espírito Santo no dia 17 de agosto para um show especial na Prainha, em Vila Velha, como atração principal do Festival +MC.
O artista, vencedor de 13 prêmios Grammy Latino e símbolo do tropicalismo, conversou com HZ sobre diversos assuntos, entre eles, o show no +MC, memórias no Estado, músicas novas, tecnologia e até política. Sobre as vindas ao Espírito Santo, Caetano revelou uma curiosidade que conversa com o início da carreira.
"Fui várias vezes cantar em Vitória. Sempre gostei de ver as pedras lisas junto ao mar. Diferentemente das de Salvador e semelhantes às do Rio, elas não são ásperas à visão. E o público capixaba sempre me recebeu com carinho. A cidade de Vila Velha tem o mesmo nome do teatro em que Gil, Gal, Bethânia e eu começamos na Bahia. Acho que vou me sentir em casa".
Caetano promete um setlist pensado para grandes festivais, com canções que atravessam sua trajetória e continuam dialogando com o presente. Clássicos como “Divino Maravilhoso” e “Podres Poderes” ganham novo fôlego em tempos de embates políticos renovados. “Canto essas músicas porque vejo os problemas que olhamos de frente hoje em dia”, diz.
Entre críticas sociais e ironias poéticas, Caetano passeia também pela ancestralidade de “Reconvexo”, pelo lirismo de “Cajuína”, pela leveza otimista de “Odara” e pela doçura melódica de “Sozinho”.
“Canções de várias épocas da minha carreira, sobretudo as que têm um tom rebelde. O mundo está difícil. Mas também uma nova, que fiz no final da turnê com Bethânia, e outras mais doces para o final”, adianta com exclusividade.
Ao longo dos anos, Caetano alternou momentos de ruptura estética com celebrações populares. Questionado por HZ sobre como equilibra o experimental e o afetivo, o cantor responde com naturalidade: “Desde criança gosto de canções que a gente aprende no rádio. E cresci desejando fazer as coisas mudarem. As duas coisas não são excludentes para mim".
Sobre o impacto das tecnologias no seu olhar poético, Veloso diz que não é ligado ao mundo digital. "Vejo o que possa me interessar por aqui, mas não olho as chamadas redes sociais. Leio jornal no papel. Entre as big techs e o Brasil, estou com o Brasil. Querer deixar sem regulação nenhuma essas empresas-monstro é o absurdo dos absurdos", completa.
No sábado, 17 de agosto, Caetano sobe ao palco da Prainha não só como cantor, mas como cronista do Brasil em forma de música. Além dele, Marina Sena e Yago OProprio são atrações confirmadas do festival. Diferente do tradicional Movimento Cidade que ocorre nos dias 15 e 16 de agosto - e é gratuito, o +MC será uma edição paga, com ingressos já disponíveis para venda no site Sympla.
Foto: Robson Mafra/AGIF/Folhapress