'Tenho que diminuir a puxada de shows', diz Caetano Veloso, prestes a completar 83 anos

Entrevista para O Globo (2 de agosto de 2025)

Por Ricardo Pinheiro

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Foto: Fernando Young

Desde o começo dos anos 1960, quando começou a carreira em Salvador, até os dias de hoje, Caetano Veloso (que completa 83 anos na próxima quinta-feira, dia 7) nunca se afastou da música — e nem pretende se afastar.

— Desde que me entendo por gente amo canções. Não tenho vontade de me afastar delas — conta ao GLOBO o baiano. — Claro que não vou trabalhar tanto sobre palcos no ano que vem. Nessa idade, tenho que diminuir a puxada. Mas preciso compor algumas canções para gravar o mais cedo possível.

E quais são as inspirações de Caetano atualmente para a nova safra de composições? Ele responde. Em março, na reta final da turnê com Bethânia, o tropicalista lançou a inédita “Um baiana” — segundo ele, fruto de uma vontade de expressar “força de paz e de elegância contra as feiuras que o mundo tem exibido”.

— São mais indignações do que inspirações — comenta o autor de “Meu coco”, álbum lançado em 2021. — Muitas coisas se insinuam na minha cuca, mas não sei exatamente no que vão dar.

Enquanto não diminui a puxada dos palcos e não sabe no que as indignações vão dar, Caetano se apresenta em festivais pelo Brasil. Desde maio, já passou pelo Coolritiba, em Curitiba, e pelo Sensacional, em Belo Horizonte. Neste domingo (3), ele encerra a 8ª edição do Enel Festival de Inverno Rio, no Rio de Janeiro (e, até novembro, ainda passa por Vila Velha, Brasília, São Paulo e Itaipava).

Para montar o show e cutucar esse mundo “fora da ordem”, o tropicalista se reaproximou da rebeldia:

— Pensei logo em cantar minhas músicas mais rebeldes, dado o jeito que as coisas andam hoje em dia. São também as mais próximas do rock. “Branquinha” não é dessa linha roqueira, mas tinha que abrir o show porque diz que “vou contra a via, canto contra a melodia, nado contra a maré”. E me apresento de cara: “Eu sou apenas um velho baiano, um fulano, um Caetano, um mano qualquer”. O resto do repertório é tipo “Podres poderes”, “Vaca profana”, “Anjos tronchos” e etc. Sendo que, no final, o samba traz o otimismo de volta (diz, se referindo à junção do antológico samba-enredo “É hoje”, da União da Ilha, com “Odara”, que encerra o show).

Foto: Fernando Young

Quatro dias depois do show no Rio, cidade onde Caetano mora há cinco décadas, é o seu aniversário de 83 anos.

— Desde menino gosto de celebrar meu aniversário — conta. — Hoje em dia, mais com meu pessoal mais próximo: filhos, mulheres, netos, afilhados e íntimos camaradas.

Para além desse círculo íntimo, Caetano também celebra a proximidade dos jovens com suas músicas e as trocas que costuma ter com os tantos e tantos fãs que acumula pela vida:

— Em toda a turnê em estádios que fiz com Bethânia, muita gente jovem ficava próxima ao palco e cantava as canções que gravamos há três, cinco, seis décadas. Várias pessoas falam comigo nos aeroportos, gente de 60, 40, 25 anos, e, em geral, de fato agradecem. E eu agradeço a eles mais ainda.

Programe-se: Festival de Inverno

Sexta, 1º: DJ Tamy (19h), Ferrugem (21h), Pedro Sampaio (23h) e Liniker (1h)

Sábado, 2: DJ Michell (17h), Os Garotin (19h), Vanessa da Mata (20h30), Miguelzinho do Cavaco (22h20), Paulinho da Viola (23h) e Teresa Cristina (1h)

Domingo, 3: DJ Tamenpi (15h), Alcione (16h30), Refúgio dos Amores Improváveis (18h), Frejat (19h) e Caetano Veloso (21h)

Onde: Marina da Glória, Parque do Flamengo. Quando: sexta, às 19h; sábado, às 17h; e domingo, às 15h. Quanto: de R$ 200 (5ºlote, pista social) a R$ 360 (5ºlote, lounge Elo social), com doação de um agasalho ou cobertor (em perfeitas condições), via Bilheteria Digital. Classificação: 16 anos.

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